segunda-feira, 31 de maio de 2010
TEMPOS DIFICEIS
E lá se foi Dennis Hopper. Como cheguei atrasado em quase tudo, cheguei atrasado também em sua trajetória. Embora já o conhecesse, virei fã do cara em Veludo Azul, na pele do insano Frank. Dennis Hopper parecia desses caras que vivem o tempo todo dando uma banana para ao mundo. E, sinceramente, olhando os dias que vivemos hoje, o cara esteve a frente do seu tempo. Estão transformando o mundo numa merda sem graça, com um patrulhamento sobre todo tipo de comportamento que está muito difícil de engolir. Isto sem falar que hoje todo mundo tem uma resposta pronta pra tudo. Claro, a resposta que leram na revista da moda, no programa da tarde, no talk show noturno onde sempre há um gurú-pau-pra-toda-obra. Está difícil até de encontrar alguém com quem conversar sobre as dificuldades e frustrações de (tentar) fazer cinema. Você abre a boca e pronto, lá vem aquela enxurrada de otimismo sem fundamento. Você não consegue sequer terminar o raciocínio, de dizer onde estão as coisas que te incomodam. Estou de saco cheio de alguém me dizer que tudo vai dar certo sem ter nem idéia do estágio que a minha vida está, como os meus planos estão, sem saber que nada está andando como deveria, sem a noção de que, NÃO, as coisas não estão dando certo, o universo não está conspirando a favor e Deus, meus amigos, tem muito mais a fazer além de ficar cuidando da nossa mesquinhez diária.
terça-feira, 25 de maio de 2010
TERCEIRA VIA
Serra e Dilma vão sendo empurrados garganta abaixo como as duas únicas opções aceitáveis. Não entre nessa. Eu vou de Marina.
Esse vale-tudo que se estabeleceu como regra na política brasileira precisa ser mudado. Eu sei que Marina talvez não consiga fazer isto sozinha. Mas sei também que os outros dois não irão nem tentar.
Esse vale-tudo que se estabeleceu como regra na política brasileira precisa ser mudado. Eu sei que Marina talvez não consiga fazer isto sozinha. Mas sei também que os outros dois não irão nem tentar.
terça-feira, 27 de abril de 2010
A RESPOSTA POR UM FIO.
Eu morei numa casa a beira de uma estrada de terra e havia uma porteira logo a frente, isto faz uns cinquenta anos. Eu me lembro que gostava de cruzar a porteira só pra ouvir o som dela batendo no mourão, uma, várias vezes, repicando a batida que ia ficando cada vez mais breve e mais suave. E do lado de lá era que eu sentia um certo deslocamento, a sensação de experimentar alguma coisa fora do lugar, e parecia que uma voz me mandava seguir pela estrada em frente, pra buscar algo. Nas minhas constantes reavalizações, eu sei que já peguei aquela estrada várias vezes e sei também que continuo procurando a causa daquela sensação. Sei o que está errado, não tenho a solução mas quero entender porque isto me incomoda. Criando eu me encontro diante da iminente resposta e por isto insisto. Eu procuro me distrair no prazer que esta trajetória me tráz e da dureza que ela encerra.
terça-feira, 30 de março de 2010
E VAMOS...
Até onde eu sei, nada mudou. Continuo no velho compasso de espera, com aquela inacreditável esperança de que tudo vai dar certo no final. Eu sempre lidei com improbabilidades, ela mesma de alguma maneira infiltrada em meu futuro desde os primeiros tempos. Eu passo batido, tento desconhecer o assombro incomodativo que volta e meia se alinha comigo nestas andanças. Ele tem um sorriso cravado de canto, seu cartão de visitas com o qual tenta me impressionar. Mas seguimos e nem quero mais saber da extensão e do desenho do trajeto. Muda o tempo todo, némês?
sexta-feira, 12 de março de 2010
DIREITOS HUMANOS: "Fica à vossa conveniência, senhor".
Saiu na coluna da Monica Bergamo, na Folha de S. Paulo de hoje:
BRAÇOS DADOS 1
Filho do ditador Muammar Gaddafi, da Líbia, Saif Gaddafi mereceu deferência especial do presidente Lula e do governador de SP, José Serra. Os dois o receberam em audiência -Serra, na terça, no Palácio dos Bandeirantes, e Lula, na quarta, no escritório da Presidência da República, em SP. Detalhe: as audiências com o filho do ditador, solicitadas pela empreiteira Odebrecht, que ciceroneou Gaddafi no Brasil, foram secretas, ou seja, estavam na agenda extraoficial dos governantes.
BRAÇOS DADOS 2
Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, por sinal, acompanhou Gaddafi em vários compromissos, como um jantar com empresários na casa de Ana Paula Junqueira, em SP. Com obras em Trípoli, a construtora patrocina exposição de uma fundação de Gaddafi no Museu Afro Brasil, em SP.
PARA QUEM PODE
E Gaddafi, com viagem programada para Salvador, circula no Brasil a bordo de um Airbus particular.
Então tenho que deixar esta observação: A percepção do que é Ditadura, tanto pelos governos quanto pelos veículos de mídia (e isto é o mais estarrecedor)depende unica e exclusivamente de quais interesses estão envolvidos. Se há dinheiro para todos, sangue derramado e direitos violados são temas secundários.
BRAÇOS DADOS 1
Filho do ditador Muammar Gaddafi, da Líbia, Saif Gaddafi mereceu deferência especial do presidente Lula e do governador de SP, José Serra. Os dois o receberam em audiência -Serra, na terça, no Palácio dos Bandeirantes, e Lula, na quarta, no escritório da Presidência da República, em SP. Detalhe: as audiências com o filho do ditador, solicitadas pela empreiteira Odebrecht, que ciceroneou Gaddafi no Brasil, foram secretas, ou seja, estavam na agenda extraoficial dos governantes.
BRAÇOS DADOS 2
Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, por sinal, acompanhou Gaddafi em vários compromissos, como um jantar com empresários na casa de Ana Paula Junqueira, em SP. Com obras em Trípoli, a construtora patrocina exposição de uma fundação de Gaddafi no Museu Afro Brasil, em SP.
PARA QUEM PODE
E Gaddafi, com viagem programada para Salvador, circula no Brasil a bordo de um Airbus particular.
Então tenho que deixar esta observação: A percepção do que é Ditadura, tanto pelos governos quanto pelos veículos de mídia (e isto é o mais estarrecedor)depende unica e exclusivamente de quais interesses estão envolvidos. Se há dinheiro para todos, sangue derramado e direitos violados são temas secundários.
DESEJOS OCULTOS.
Melissa mora na casa ao lado e todas as manhãs varre o quintal. E olha de canto de olho para o pombo gigante que finge dormir no beiral do sobrado vizinho.
Melissa sonha todas as manhãs em ter um rifle ao invés de uma vassoura. Ela sabe que o quintal não precisa ser varrido todos os dias, mas sabe, e sorri lá dentro, que seus desejos precisam ser regados todas as manhãs.
Melissa sonha todas as manhãs em ter um rifle ao invés de uma vassoura. Ela sabe que o quintal não precisa ser varrido todos os dias, mas sabe, e sorri lá dentro, que seus desejos precisam ser regados todas as manhãs.
terça-feira, 2 de março de 2010
EU NÃO FALO DE POLÍTICA.
Há muito tempo desisti de discutir política. A desilusão que eu costumava ter em relação a este assunto devia-se ao comportamento dos políticos, ao seu total e absoluto descompromisso com a verdade ou a um mínimo de respeito para conosco, cidadãos. Porém, mesmo assim eu gostava de conversar sobre política, de trocar idéias e pensar de que forma poderíamos lutar para melhorar nosso caótico sistema. Hoje não sinto a menor vontade de falar disto e de nem mesmo pensar a respeito. Sabe por que? Porque não suporto o "pensamento bipolar" (Marcelo Tas) que vejo por aí. Desapareceram as nuances, os meios termos, as variantes, os vários aspectos de um mesmo assunto, a possibilidade de se gostar de alguma coisa e desgostar de outra na mesma pessoa. Ou se é perfeito ou imperfeito, ou se é situação ou oposição, ou se é "sim" ou "não" absolutos diante de fatos que simplesmente não possuem divisões claras. O que era paixão hoje virou burrice. Acredita-se em tudo que sirva ao momento, mesmo que as evidências digam o contrário. E a internet transformou-se no veículo ideal para a manada repercutir tudo o que pareça verdade e preencha seu espaço de pensamento hoje ocupado pela preguiça. Eu penso que o surgimento desses grupos bipolares e seus seguidores se deve ao comportamento absolutamente esquizofrênico dos meios de comunicação. Os grandes conglomerados de mídia, em geral familiares, estão todos amarrados com o governo por empréstimos que já tiveram ou esperam ter via BNDES. Não se iludam, é assim que funciona e sempre funcionou o empresariado brasileiro, liberal no discurso, mas apegado ao Estado para garantir a continuidade dos seus negócios. Assim, os grandes veículos de informação vivem constantemente em cima do muro, tentando agradar os dois lados. Os bipolares vieram então, através de blogs hospedados e sustentados pelos mesmos meios de comunicação, a ocupar um vazio (no caso de algumas pessoas, vazio mesmo)carente de um discurso que pudesse ser imediatamente assimilado sem a necessidade de pensar. Dai para o radicalismo vai menos de um passo. Um lado prega seus avanços como se tudo tivesse acontecido de forma isolada, como se nada tivesse sido feito antes, nenhuma semente tivesse sido plantada, como se não precisassem de mais ninguém, numa manifestação de arrogância sem limites. E enterrados até o pescoço na corrupção, exatamente como aqueles a quem combatiam com seu discurso moralista. O outro lado fala em ditadura, em falta de liberdade de expressão ao mesmo tempo em que se expressam livremente com ofensas grosseiras contra seus opositores. Talvez a impotência e a incompetência para promover mudanças através do voto levem esse povo a buscar caminhos "alternativos", a tentativa de colar no outro a preferência por aquilo que eles mais gostam, a ditadura que apoiaram e serviram e da qual sentem saudades neste momento de fraqueza política. Pregam a livre expressão (vocês estão se expressando, caralho, isto é liberdade de expressão!) enquanto querem impôr uma forma única de pensamento, isto é, quem não estiver do seu lado só pode estar errado. Querem negar ao outro o princípio básico da democracia, o direito a livre escolha.
Por isto não converso mais sobre política, não tenho mais paciência para a burrice.
Por isto não converso mais sobre política, não tenho mais paciência para a burrice.
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